segunda-feira, 4 de abril de 2011

Politicamente Correto

Politicamente correto é uma linguagem neutra termos de discriminação e de termos que podem ser ofensivos para uma minoria – ou maioria – que se toma como injustiçada pelo senso comum.

O politicamente correto seria até bom se servisse realmente para isso, ele falha a partir do momento em que essas questionáveis minorias tomam para si o direito de serem inimputáveis e incriticáveis pelo senso comum, uma vez que se fazem de vítimas o tempo todo e se acham no direito de criticar os outros grupos tidos como “opressores” sem que nenhuma critica seja feita aos primeiros.

O politicamente correto tem suas bases no Marxismo Cultural; o Marxismo em si consiste em um grupo de opressores e um outro de oprimidos. O grupo dos oprimidos por sua vez se acha na condição de inimputável porque toma para si as “dores” do passado, achando que o grupo dos opressores tem uma dívida com eles e que uma das formas de paga-la é recebendo o direito de poder tecer a crítica que quiser sem temer por isso.



Sendo assim, no intuito de criar uma linguagem livre de sexismo, racismo, elitismo, ou qualquer outra coisa discriminatória, o politicamente correto acaba fazendo o contrario, porque ele dá ao grupo dos “oprimidos” um certo direito de tecer as críticas que quiserem, críticas que muitas vezes vem carregadas de linguagens sexistas, racistas. Elitistas, etc.

Para entender melhor como isso funciona temos que primeiro classificar os grupos tidos como oprimidos e opressores:

  • Brancos são considerados opressores, porque segundo o conhecimento geral escravizaram os negros por séculos, logo os negros são os oprimidos
  • Homens são considerados opressores, porque sempre impediram que as mulheres tivessem liberdade sexual, econômica e política, logo as mulheres são as oprimidas.
  • Ricos são considerados opressores porque sempre exploraram e abusaram dos pobres que são a classe proletariada, logo os pobres são os oprimidos.

Esse grupo tido como oprimido se vê injustiçado por toda a história, e o grupo dos “opressores” são até tomados de certa culpa por isso; com essa mistura de injustiça de um lado e culpa do outro, os que no passado “foram”[1] os oprimidos se vem no poder de criticar e atacar o grupo que foi o opressor, achando que eles tem um direito a isso devido a toda uma dívida histórica; acham que podem se vingar por meio da dialética.

Costumamos reagir bem e permissivamente quando vemos uma pessoa exaltar seu orgulho negro, mas sentimos um certo incômodo quando vemos alguém que é branco exaltar seu orgulho. Hoje é normal um gay falar que se orgulha de sua opção sexual, mas quando vemos um hétero fazer isso nos sentimos incomodados.

As propagandas midiáticas tendem a exaltar o papel e as conquistas da mulher na sociedade, porem raramente vemos algo que exalte as conquistas masculinas. Isso sem contar o desprezo que as pessoas tem com as classes altas, achando que eles chegaram lá por meio da exploração de outros, já o pobre é tido como vítima.

Agora analisando o comportamento da sociedade dentro de uma linguagem politicamente correta, podemos ver que a linguagem preconceituosa continua a existir mas agora é o inverso do que era antes e o preconceito passa a ser para o “opressor”. Por exemplo, é normal vermos piadas do tipo “loira burra”, piadas como essa são contadas em programas humorísticos aos montes, mas nenhum tem a ousadia de fazer uma piada onde o zombado é o negro.

Sendo assim, o que era para livrar a sociedade de uma linguagem discriminatória passa a ser mais discriminatória ainda, só que às avessas, e o pior de tudo: bastante aceitável.

[1] - No futuro farei um post explicando que esses coitadinhos sociais não são tão coitadinhos assim.


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